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Viver com sentido

Existe mais para além do que nos contam..!

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Óleo de côco e as suas propriedades milagrosas

                                                                     Imagem relacionada 

 Nos últimos anos assistimos a uma maior procura pelo alimento ideal ou mais saudável. Uns prometem emagrecer, outros aumentam o sistema imunitário, diminuem o risco cardiovascular, aumentam a energia vital... tudo isto e muito mais!! Fantástico!

 Quem não fica de olhos arregalados e com a esperança no auge? Até eu fico com o "bichinho atrás da orelha"! Mas é preciso ter calma.... 

 A par com a crescente preocupação com a saúde (e ainda bem!!), tem havido um "reajuste" no marketing que as marcas fazem para promover os seus produtos, com o objectivo criar necessidade de compra sem que muitas vezes haja necessidade de consumo. Quanto a isso, tudo bem. Modas são modas e alimentos viram tendências.

  O óleo de côco é um dos principais alimentos da moda. Infelizmente, muitos alimentos não precisam de "grandes vantagens milagrosas" para virarem tendência pois basta vir alguma personagem fitness dizer que utiliza e que fez " A diferença" e pronto, a fama ultrapassa as verdadeiras características do produto.  Mas... será que tu sabes realmente o valor do óleo de côco?

  

De que é "feito" o óleo de côco?

 O óleo de côco é um tipo de gordura no qual o seu perfil lipídico consiste em 82% de gordura saturada, sendo que metade é ácido laúrico

 

Qual a importãncia da gordura no nosso organismo?

Resultado de imagem para check As gorduras desempenham diversas funções biológicas e fisiológicas, com papel fundamental nas reservas de energia do organismo.

Resultado de imagem para check Macronutriente essencial para o transporte de diversas vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e para a biodisponibilidade de micronutrientes lipossolúveis.

Resultado de imagem para check Fornecem substrato essencial para a síntese de diversos compostos metabólicos - que são essenciais para o funcionamento hormonal, pois sem o consumo de gordura, a produção hormonal fica comprometida

 

No que diferem os lípidos?

Resultado de imagem para check Diferem no grau de saturação

- Saturado: maioritariamente nos alimentos de origem animal (carne, ovos, produtos lácteos) e no óleo de côco e de palma

- Monosaturado: Por exemplo, nos frutos secos, abacate e azeite

- Poliinsaturado: Encontram-se especialmente no óleo de sésamo, girassol, milho

 

  Os ómega-3 (linoleico) e ómega-6 (linolénico) são considerados como essenciais, uma vez que não são sintetizados pelo nosso organismo, tendo que ser adquiridos através da alimentação (e/ou suplementação).

    

Resultado de imagem para check Diferem no comprimento

                - Ácidos gordos de cadeira curta: < 8 carbonos

                - Ácidos gordos de cadeira média: 8 a 12 carbonos (é o caso do óleo de côco)

                - Ácidos gordos de cadeira longa: >12 carbonos

 

Qual o impacto das gorduras e, em especial, do ácido laúrico?

  Esta breve explicação será feita ao longo do post e é muito importante para poderem tirar as vossas próprias conclusões sobre o óleo de côco. Vamos a isto?

 

1 - "O óleo de côco é benéfico para a saúde cardiovascular"

Resultado de imagem para check O ácido laúrico (composto principal do óleo de côco) demonstra um grande potencial no aumento do colesterol LDL-c (designado "mau colesterol"), em comparação com outro tipo de óleos (ex: palma, girassol). Demonstrou que aumenta o colesterol HDL-c (o "bom colesterol).

Resultado de imagem para check Ao comparar o óleo de côco com óleo de girassol e manteiga, tanto o óleo de côco como a manteiga aumentam mais a concentração de LDL-c, em comparação com o óleo de girassol. 

Resultado de imagem para check Ao comparação óleo de côco com azeite, o óleo de côco aumenta significativamente o LDL-c.

Resultado de imagem para check Há uma relação directa entre o LDL-c e a doença coronária

Resultado de imagem para check De acordo com a comunidade científica, o aumento do HDL-c já não é considerado como tendo impacto significativo na diminuição do risco cardiovascular, mas sim apenas o LDL-c é considerado como relevante.

 

"Normal LDL-cholesterol levels are associated with subclinical atherosclerosis in the absence of risk factores"

Sociedade Americana de Cardiologia, 2017

 

 Ora, a premissa na qual a indústria tanto se "baseia" para fazer do óleo de côco um alimento benéfico para a saúde cardiovascular diz respeito a existir um aumento do HDL-c. Esqueceram-se foi de falar de tudo o resto, escolhendo selectivamente a informação a passar.

  De forma um pouco mais "extremista", é como afirmar que:  "Fumar mata, mas já viste a satisfação momentânea que te dá? Muito boa!". Portanto, utilizar o aumento do HDL-c como justificação para os "benefícios na saúde cardiovascular" não me parece muito boa política. Digo eu.

 

2 - "O óleo de côco tem efeito saciante, ajudando na perda de peso"

  Relativamente aos ácidos gordos de cadeia média, estes têm um efeito potencialmente saciante e anorexigénio, devido ao aumento da acetil coenzima A, que é necessária para oxidar os ácidos gordos.

Resultado de imagem para check Há um aumento da saciedade e satisfação logo após a refeição. Contudo, ao comparar o óleo de côco com os restantes ácidos gordos de cadeia média, estes efeitos não foram significativos na diminuição da ingestão calórica total, a longo prazo. A diminuição da ingestão calórica total é o que leva a uma diminuição de peso e não o óleo de côco. 

Resultado de imagem para check Para já, a evidência não demonstra efeitos práticos no aumento da saciedade. Não existem estudos a longo prazo que permitam avaliar o efeito termogénico, saciedade ou perda de peso.

  Portanto, é preciso dizer mais alguma coisa ou chega dizer que a febre de que "óleo de côco ajuda a emagrecer" é apenas uma informação extrapolada do seu contexto?

 Ao ser considerado "saudável" e como uma "ajuda extra" na queima de gordura, muitas pessoas esquecem-se que é BASTANTE CALÓRICO e que pode estas adições extras, ao longo de dia, podem ser responsáveis pela adição de 150-300kcal em óleo de côco que são desnecessárias e importantes no balanço energético diário, responsável pela efectiva perda de peso.

 

3 - "É mais saudável o óleo de côco para cozinhar"

 O ponto de fusão do óleo de côco (177ºC) é, na verdade, inferior ao do azeite (190ºC), no entanto, devido à sua constituição, o óleo de côco é mais estável à oxidação quando submetido a temperaturas elevadas. 

  Seja para que tipo de gordura for, devemos evitar temperaturadas <180ºC.

  Na maioria das vezes em que se utiliza o óleo de côco, serve para passar na frigideira para fazer umas panquecas, uma omelete ou utilizar umas "pingas de azeite" para saltear legumes ou fazer uns bifes... Não vale a pena a ideia extremista de que não se deve usar azeite para cozinhar.

 

4 - "O óleo de côco é maravilhoso pelas suas propriedades antifúngicas"

    Ok. As experiências laboratoriais existentes não foram sequer replicadas em humanos. 

     

 CONCLUIDO:

 Como tudo, não sou contra nenhum tipo de alimento mas sim como a publicidade que lhe é feita. O óleo de côco tem, de facto, algumas propriedades interessantes e pode ser utilizado de variadíssimas formas!

 O problema é que há um enorme poder de marketing e publicidade que ultrapassa a velocidade da ciência. Para além disso, muitas das premissas que são utlizadas para fazer de algo como "saudável" ou "benéfico" provém de resultados extrapolados do seu contexto (quer seja no tipo de população em que foi feita o estudo, como as condições e todos os factores condicionantes e de viesamento!).

 Há até quem afirme que óleo de côco pode prevenir o cancro, ser utilizado como protector solar, ajudar no seu tratamento ou atrasar o processo de envelhecimento...!

  A indústria é super directa e apelativa, agarrando-se às palavras-chave que todos queremos ver:

  - EMAGRECE

  - MELHORA A SAÚDE GERAL

  - SUPER ALIMENTO

 

 Portanto, não tenho NADA contra o óleo de côco mas não é o dito o super-alimento que tem propriedades super benéficas. It doesn't.

      

 

Cox X, Mann J, Sutherland W, Chisholm A, Skeaff M (1995). Effects of coconut oil, butter, and safflower oil on lipids and lipoproteins in persons with moderately elevated cholesterol levels. Journal of Lipid Reserach, Volume 36 787-1795.

Eyres L, Eyres MF, Chisholm A, Brown RC (2016). Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutrition Reviews, Volume 74, Issue 4, 1 April 2016, Pages 267–280; doi: 10.1093/nutrit/nuw002

 European Jounal of Clinical Nutrition (2017). They say coconut oil can aid weight loss, but can it really?. European Journal of Clinical Nutrition (2017) 71, 1139–1143; doi:10.1038/ejcn.2017.86

 Hariis M, Hutchins A, Fryda L (2017). The Impact of Virgin Coconut Oil and High-Oleic Safflower Oil on Body Composition, Lipids, and Inflammatory Markers in Postmenopausal Women. Jounal of Medicina Food 00 (0) 2017, 1-7; doi: 10.1089/jmf.2016.0114

R. Kinsella, T. Maher, M.E. Clegg. Coconut oil has less satiating properties than medium chain triglyceride oil. Phb (2017), doi: 10.1016/j.physbeh.2017.07.007

Voon PT, Wai TK, Lee VKML, Nesaretnam K (2011). Diets high in palmitic acid (16:0), lauric and myristic acids (12:0 + 14:0), or oleic acid (18:1) do not alter postprandial or fasting plasma homocysteine and inflammatory markers in healthy Malaysian adults. The American Journal of Clinical Nutrition, December 2011 vol. 94 no. 6 1451-1457; doi: 10.3945/​ajcn.111.020107

 

 

 

 

 

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